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FIM DA MPB FM E O REFLEXO DA CRISE CULTURAL NO BRASIL

O SAMBISTA DIOGO NOGUEIRA NO ANÚNCIO DA MPB FM. Por Alexandre Figueiredo O comercialismo cada vez mais monopolista da música brega-popularesca, o "popular" comercial da música brasileira, foi favorecido no final de janeiro passado. A repentina saída da MPB FM, substituída por uma repetidora da Band News FM, causou muita indignação e deixou uma lacuna irreparável no rádio do Rio de Janeiro. A situação já não era boa. A MPB FM não tinha uma programação ousada. Era a única rádio no setor, e antes eram duas. Mas a Nova Brasil FM saiu do ar para dar lugar à Rádio Globo que, saindo da frequência 89,5, abriu espaço para a religiosa Feliz FM. Com o fim da MPB FM, a única maneira de ouvir MPB no rádio é sintonizando as rádios de pop adulto, que, todavia, têm que repartir as canções brasileiras com sucessos do pop estrangeiro. Fora isso, é aceitar resignadamente que a música brega-popularesca é "MPB", como desejam as elites intelectuais do Brasil, e esperar que um í...

O POBRISMO IDEOLÓGICO DO "POPULAR DEMAIS"

ALCOOLISMO: UMA DAS CARATERÍSTICAS DA DEGRADAÇÃO CULTURAL VISTAS COMO "POSITIVAS" PELA INTELECTUALIDADE. Por Alexandre Figueiredo Há cerca de quinze anos, entrou em ascensão uma corrente de intelectuais dotados de muita visibilidade e prestígio. Composta de antropólogos, sociólogos, historiadores, atores, músicos, cineastas, jornalistas e produtores de eventos, foi um grupo que prevaleceu durante cerca de dez anos difundindo uma visão caricatural e estereotipada de "cultura popular". A partir do livro Eu Não Sou Cachorro, Não , de Paulo César Araújo, considerada a "bíblia" do movimento, a geração de intelectuais que defendiam a bregalização cultural como paradigma da "cultura popular" combinou um apelo populista, um alto prestígio nos seus próprios meios sociais e uma visão financista trazida de uma orientação ideológica vinda da Teoria da Dependência, de Fernando Henrique Cardoso. Tendo como alguns de seus ideólogos nomes como Paulo Cé...

100 ANOS DO SAMBA NO CONTEXTO DA CRISE DA MPB

Por Alexandre Figueiredo Há cem anos, no dia 27 de novembro de 1916, era gravado o primeiro samba brasileiro. Era a música "Pelo Telefone", composição de Ernesto dos Santos, o Donga e do jornalista Mauro de Almeida, que tardiamente recebeu o crédito da co-autoria, e foi gravada em disco pela Casa Edison e lançada pela Odeon (hoje divisão EMI da Universal Music). A canção teve como intérprete o cantor Manuel Pedro dos Santos, o Baiano (Bahiano, segundo a grafia anterior à reforma ortográfica de 1943), nascido em 1870 na mesma Santo Amaro da Purificação que, mais tarde, revelou os cantores Caetano Veloso e Maria Bethânia. A música "Pelo Telefone" - que as gerações mais novas conhecem como citação incidental na música "Pela Internet", de Gilberto Gil - tem uma história curiosa e cheia de controvérsia. Surgiu de uma música cantada na roda de samba da Tia Ciata, no bairro da Penha, Rio de Janeiro. Na reunião, cantava-se uma música intitulada "Ro...

PROJETO DE EDIFÍCIO EM SALVADOR PROVOCA GRAVE CRISE NO GOVERNO TEMER

Por Alexandre Figueiredo Há tempos a construção de um edifício de 30 andares, que causa um contraste paisagístico numa área histórica de Salvador, causa muita polêmica. O edifício La Vue, localizado na Av. Sete de Setembro, no trecho da Ladeira da Barra, já era um problema local dos soteropolitanos. Era, portanto, um problema que mostra a fragilidade do IPHAN baiano-sergipano, já que a 7ª Superintendência Regional contempla os dois Estados. Há tempos o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional sofre um conflito local entre políticas de intervenção do patrimônio histórico e de preservação de sítios históricos. Sucessivas direções, nos últimos dez anos, alternavam dois momentos radicais, um que se fundamentava na não intervenção em obras de recuperação de prédios históricos, baseada na tese de correntes de que a restauração era uma "falsificação" que comprometeria a estrutura original do edifício histórico, mesmo sendo peças idênticas às originais. Foi e...

SAÍDA DE MARCELO CALERO E SUBSTITUIÇÃO POR ROBERTO FREIRE APROFUNDAM CRISE NO MINC

Por Alexandre Figueiredo Quando a crise em torno do Ministério da Cultura do governo de Michel Temer parecia, pelo menos, sob controle, eis que um novo episódio aprofunda ainda mais a crise, não bastasse a própria crise profunda que vive o governo em geral. A notícia, dada na noite do dia 18 de novembro de 2016, da saída do ministro da Cultura, Marcelo Calero, só não surpreendeu muito porque no governo Temer se espera qualquer instabilidade, e o Brasil já havia vivido uma série de incidentes e imprevistos. Calero foi substituído pelo senador pernambucano Roberto Freire, também fundador e presidente do PPS. Houve as prisões dos ex-governadores do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho e Sérgio Cabral Filho, e a agressão ao repórter da Rede Globo, Caco Barcellos, dois atos que desafiam as aparências revelando não o combate à corrupção ou ao monopólio midiático, mas antes uma punição tendenciosa a políticos decadentes e um radicalismo burro nos protestos que vitimaram um jorna...

PEC 241 PODE CORTAR ATÉ O PAC DAS CIDADES HISTÓRICAS

Por Alexandre Figueiredo Um quadro sombrio se desenha no Brasil desde o mês de maio, quando Michel Temer assumiu a Presidência da República, ainda na condição de interino. Querendo mudar demais no projeto político, rompendo com o programa de governo da antecessora Dilma Rousseff, Temer implantou um projeto considerado por especialistas como "ultraliberal", que é a volta do radicalismo capitalista com a retomada de valores sociais ultraconservadores. Uma de suas bandeiras é a proposta de emenda constitucional número 241, a PEC 241, conhecida como PEC do Teto. É uma proposta que prevê o limite de gastos públicos, que não podem crescer acima dos índices da inflação, e cujos investimentos ficam praticamente congelados num prazo de 20 anos. O defensores da PEC 241 que, na edição deste texto, se encontra em votação em segundo turno no plenário da Câmara dos Deputados, afirmam que os investimentos públicos, em tese, preservarão setores como Educação, Saúde e Previdência Soc...

NOS 80 ANOS DO IPHAN, ESFORÇOS RECENTES DE POLÍTICAS PATRIMONIAIS

Por Alexandre Figueiredo Mesmo diante de um cenário político confuso, irregular e turbulento, representado pelo governo do presidente Michel Temer e no plano da Cultura, pelo ministro da pasta, Marcelo Calero, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), procura se manter na normalidade administrativa, numa época em que celebra 80 anos de surgimento. Nos últimos dez anos, o IPHAN teve quatro presidentes: o antropólogo paulista Antônio Augusto Arantes (autor do livro da série Primeiros Passos da Brasiliense, O Que É Cultura Popular ), o arquiteto mineiro Luiz Fernando de Almeida (atual presidente do Museu de Arte do Rio de Janeiro - MAR), a também arquiteta mineira Jurema Machado e, atualmente, a historiadora maranhense Kátia Bogéa. Não foi fácil passar por essas gestões e manter o IPHAN dentro de um padrão de eficiência nos trabalhos de proteção do patrimônio histórico. Há imperfeições aqui e ali, como em Salvador, em que as políticas patrimoniais não cons...