Por Alexandre Figueiredo Durante anos, prevaleceu a narrativa de que o comercialismo "popular demais" da música brega-popularesca era a "verdadeira cultura popular". Com muito pretensiosismo, falava-se em "popular com P maiúsculo" e, com certo exagero e um forte tom de cinismo, em "verdadeira MPB". Essa narrativa, denominada "combate ao preconceito", revelou-se depois uma grande farsa, uma conversa para boi dormir e para proletários, camponeses e desempregados adormecerem junto. Com o tempo, se viu que essa retórica "contra o preconceito" escondeu interesses políticos e comerciais bastante estratégicos. Isso não é difícil de entender. A "cultura" popularesca cresceu não porque uma multidão de pessoas humildes vindas do nada passaram a apoiar os ídolos popularescos de talento musical de mediano para baixo e nem pela inocente difusão de rádios, TVs e revistas solidários ao povo pobre. Um processo nada popular fez com ...