NOS 80 ANOS DO IPHAN, ESFORÇOS RECENTES DE POLÍTICAS PATRIMONIAIS


Por Alexandre Figueiredo

Mesmo diante de um cenário político confuso, irregular e turbulento, representado pelo governo do presidente Michel Temer e no plano da Cultura, pelo ministro da pasta, Marcelo Calero, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), procura se manter na normalidade administrativa, numa época em que celebra 80 anos de surgimento.

Nos últimos dez anos, o IPHAN teve quatro presidentes: o antropólogo paulista Antônio Augusto Arantes (autor do livro da série Primeiros Passos da Brasiliense, O Que É Cultura Popular), o arquiteto mineiro Luiz Fernando de Almeida (atual presidente do Museu de Arte do Rio de Janeiro - MAR), a também arquiteta mineira Jurema Machado e, atualmente, a historiadora maranhense Kátia Bogéa.

Não foi fácil passar por essas gestões e manter o IPHAN dentro de um padrão de eficiência nos trabalhos de proteção do patrimônio histórico. Há imperfeições aqui e ali, como em Salvador, em que as políticas patrimoniais não conseguiram proteger casarões antigos por causa da polêmica dos restauros (ação que certas correntes entendem como "falsificação" do bem histórico) e ainda se mostra pouco eficiente diante da especulação imobiliária.

Mesmo assim, observa-se um empenho de salvaguarda do nosso patrimônio, um trabalho que se segue em meio a polêmicas e incidentes aqui ou ali, mas muitas vezes sem a interferência direta desses problemas.

Neste mês, destacam-se os trabalhos do Conselho Consultivo do IPHAN para avaliação de tombamento de manifestações culturais de São Pedro da Aldeia (RJ) e Trindade (GO), além da divulgação do resultado da Chamada Pública para salvaguarda do Carimbó, ritmo paraense que se tornou Patrimônio Histórico.

No caso de São Pedro da Aldeia, o conselho analisa a Casa da Flor, inusitada construção residencial do começo do século XX cuja proposta de tombamento indica um grande potencial de expressividade criativa e manifesto artístico no contexto local da cidade, situada na Região dos Lagos fluminense. O autor deste texto morou na cidade entre 1977 e 1981.

Segundo registra a história da Casa da Flor, um trabalhador das salinas da cidade, Gabriel Joaquim dos Santos, (1892-1985), havia decidido construir sua própria casa. Inspirado no sonho que teve certa vez, Gabriel resolveu ser criativo, e enfeitou sua casa com mosaicos, esculturas e adornos colhidos de material de lixo e objetos quebrados.

Segundo o documento de solicitação do tombamento, "a Casa da Flor condensa esse esforço de ordenar a desordem, a fragmentação e as oposições, de acordo com um conhecimento do valor das coisas e não da sua utilidade meramente funcional".

Simbolizando crenças locais da população rural marcada por sua religiosidade, a Romaria de Carros de Boi da Festa de Trindade é outro bem imaterial proposto para tombamento pelo IPHAN. Expressão cultural do povo do município goiano de Trindade, é considerada uma das principais tradições de convívio familiar nesta cidade.

A Festa de Trindade, ou a Festa do Divino Pai Eterno de Trindade, segundo registros teria surgido em 1840, quando um casal teria encontrado um medalhão religioso entalhado, evocando as figuras católicas do Pai, do Filho e do Espírito Santo. O lugar onde foi encontrado o medalhão passou a ser destino da procissão realizada anualmente no lugar.

Quanto ao carimbó, expressão da cultura popular do Pará agora protegida pelo IPHAN, já publicou resultado final das Chamadas Públicas para firmar Termo de Colaboração para ações de salvaguarda do ritmo paraense, como o Encontro Estadual de Carimbó e a Manutenção do Comitê Gestor de Salvaguarda do Carimbó.com o fim de fortalecer a autonomia dos carimbozeiros na gestão do patrimônio.

As entidades que foram classificadas para os trabalhos foram Associação do Carimbó e Cultura Popular de Salinópolis, e a Associação Cultural Raízes da Terra, de Marapanim, ambas cidades do interior paraense.

FONTES: IPHAN, Ministério da Cultura.

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