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MEDIOCRIDADE CULTURAL: HORA DE "PASSAR O PANO"

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ESQUERDAS BRASILEIRAS SE PERDEM NO MANIQUEÍSMO ALEGRIA X RAIVA

Por Alexandre Figueiredo As esquerdas estão pagando o preço determinado pelo brega-identitarismo que soterrou as causas trabalhistas e permitiu o sufocamento dos movimentos sociais, inclusive o golpismo político que atuou imediatamente para enfraquecer os sindicatos proletários e dificultar financeiramente as ações trabalhistas pela extorsão legalizada (trabalhadores que processam patrões por abusos trabalhistas, se perderem a causa, terão que pagar custos advocatícios não se sabe com que dinheiro). A bregalização cultural, que foi a causa maior de uma elite de intelectuais badalados pelos meios esquerdistas, mas oriundos dos porões acadêmicos do PSDB, se firmou no imaginário das esquerdas através de um discurso vitimista, em que os fenômenos popularescos de grande sucesso eram descritos da forma coitadista, sob a desculpa esfarrapada do "preconceito". Meu livro  Esses Intelectuais Pertinentes...  dá detalhes sobre essa campanha de "combate ao preconceito" que iludi

POR QUE EXISTE A ILUSÃO DE QUE A CULTURA DO BRASIL VIVE "ÓTIMA FASE"?

A AMPLA MOVIMENTAÇÃO DO INSTAGRAM DÁ A FALSA IMPRESSÃO DE INTENSA E PRÓSPERA ATIVIDADE CULTURAL. Por Alexandre Figueiredo Há uma falsa impressão, não só nas bolhas sociais mas em setores dominantes da chamada opinião pública, de que o Brasil vive a "melhor fase cultural de sua história". Isso vem acompanhado de justificativas clichês de intelectuais dotados de alta visibilidade, seja na mídia ou nos meios acadêmicos, de que "nunca existiram tantas vozes e tantas narrativas em curso no nosso país", dando a crer que nosso país está culturalmente fértil e relevante. Mas sabemos que a situação não está assim. Não é porque faltem artistas nem intelectuais de qualidade e grande expressividade, mas é porque o cenário de visibilidade e prestígio é mais seletivo e o que predomina nas redes sociais e no entretenimento dominante difundido pela grande mídia são nomes medíocres da chamada cultura brega-popularesca, como os ídolos musicais "populares demais" e as subcel

O CULTURALISMO "POP" (OU BREGA) DOS TEMPOS DO INSTAGRAM

O JORNALISTA MUSICAL (E DE OUTRAS ESFERAS CULTURAIS) ADOTA UMA POSTURA COMPLACENTE À MEDIOCRIDADE REINANTE. Por Alexandre Figueiredo O chamado senso comum acha que o Brasil de hoje está num período culturalmente próspero, tido como o melhor de toda a História. Aparentemente, há espaços para várias expressões culturais, para vários estilos musicais, teatrais, literários etc, há várias vozes e várias narrativas em trânsito livre. Mas será mesmo que isso é verdade? Infelizmente, não. Embora seja fato que existam diferentes manifestações culturais, juntando diversos locais, diversas expressões, diversas épocas e referenciais de diversos países apreciados no Brasil, inclusive os referenciais culturais próprios, a questão dos espaços de expressão, que priorizam fenômenos comerciais e culturalmente medíocres, atestam para uma crise cultural e não para uma prosperidade. E por que muitos falam nessa prosperidade, que na prática não existe? Devemos observar duas linhas de percepção: uma é a ilus

A GOURMETIZAÇÃO DA MEDIOCRIDADE MUSICAL DOS ANOS 1990

Por Alexandre Figueiredo Virou moda gourmetizar a mediocridade musical dos anos 1990. A música romântica piegas de Sullivan & Massadas agora é tida sob o pretenso rótulo de "MPB sofisticada". Leandro Lehart, do Art Popular, se autoproclama "artista alternativo". Raça Negra e Molejo viraram pretensos ícones cult . Também são tidos como "sofisticados" Alexandre Pires e Chitãozinho & Xororó. Embora a maioria dos ídolos musicais gourmetizados remeta ao início dos anos 1990 ou à segunda metade dos anos 1980, também há exemplos na segunda metade da década que hoje viraram pretensos ícones cult : Joelma, É O Tchan, até mesmo o inexpressivo Tchakabum. Entre os mais antigos, Gretchen, que iniciou carreira no final dos anos 1970, e Odair José, que se lançou na segunda metade dos anos 1960. E tem ainda Wando, o falecido ídolo brega também beneficiado pela pretensa "cultura vintage ". Por que, de repente, a bregalização musical passou a ser gourmetiz

O 'MAINSTREAM' ENRUSTIDO DO BRASIL DA LACRAÇÃO

Por Alexandre Figueiredo Michael Sullivan, "MPB de vanguarda"? Gretchen, "ícone cult "? Leandro Lehart, "artista alternativo"? De repente, o crescimento extremo da música brega-popularesca nos últimos 50 anos, que atingiu níveis ainda maiores na medida em que o tempo passa, criou uma falsa impressão de que ela é a "música brasileira" por excelência e que, por isso, nomes veteranos se acham no direito de se autoproclamarem contrários ao comercialismo que os consagraram. É como quem cospe no prato em que comeu, e, no desespero de tentar voltar à carreira, apela para pretensões fora da realidade. Que as pessoas podem mudar, é verdade, mas não a ponto de considerarmos que a vida seja uma "casa da Mãe Joana" de supostos arrependidos ou de arrivistas que, sem se arrependerem do que fizeram, apenas mudaram suas estratégias e atitudes como quem troca de roupa. A gourmetização da cultura popularesca, que se deu desde a atuação da intelectualidad