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EM ANO DE PERDAS NA MPB, COMERCIALISMO SE CONSOLIDA NA MÚSICA BRASILEIRA

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O DIA EM QUE A ALERJ BRINCOU DE SER IPHAN

Por Alexandre Figueiredo

Em 01º de setembro de 2009, um ritmo comercial, cujos aspectos sócio-culturais são bastante confusos e contraditórios, ainda que se ocultem as relações verticais entre indústria e público consumidor, foi declarado "movimento cultural de caráter popular" através do anúncio da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Nesse evento, no qual se viam entidades ligadas ao "funk carioca" e personalidades relacionadas - de artistas solidários como a cantora Fernanda Abreu até DJs como Marlboro e Rômulo Costa, além do presidente da APAFUNK (Associação de Profissionais e Amigos do Funk), MC Leonardo e o antropólogo Hermano Vianna - , causou muita movimentação no Centro do Rio.

Na altura da Av. Pres. Antônio Carlos, em frente ao prédio que chegou a ser da Câmara dos Deputados quando o Rio de Janeiro era capital do Brasil e hoje abriga a ALERJ, funqueiros estavam reunindo com faixas com expressões como "funk é cultura" e outros lemas relacio…

SEMINÁRIO DISCUTE, EM FORTALEZA, A POLÍTICA DO PATRIMÔNIO IMATERIAL

Por Alexandre Figueiredo

Comemorando 20 anos da Carta de Fortaleza, resultante do Seminário "Patrimônio Imaterial: Estratégias e Formas de Proteção", o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) promove o II Seminário de Fortaleza, cujas inscrições já estão abertas.

O evento, que acontece de 08 a 11 de novembro próximos, no Teatro José de Alencar, terá abertura com uma palestra, denominada Conferência Magna, do sociólogo francês Laurent Levi-Strauss, filho do antropólogo Claude Levi-Strauss. Ele é membro do Conselho da Europa Nostra, que é a maior organização não-governamental dedicada à preservação do patrimônio cultural em 43 países.

Segundo Laurent, na época em que a Carta de Fortaleza foi lançada, em 14 de novembro de 1997, o Brasil estava avançado nas políticas de proteção do patrimônio histórico e cultural em relação a maior parte da comunidade internacional.

Laurent acrescentou: "Seis anos depois, em 2003, a UNESCO publicou a Convenção para a…

LADEIRA DA MISERICÓRDIA ESTÁ ENTRE OS BENS CULTURAIS BRASILEIROS

Por Alexandre Figueiredo

Primeira via pública da cidade do Rio de Janeiro, a Ladeira da Misericórdia está entre os bens tombados pelo Conselho Consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), em reunião realizada hoje. É a terceira reunião do ano, na sede do IPHAN, em Brasília, cinco meses depois do encontro anterior, no mesmo local, em abril último.

Na primeira reunião, revalidou-se o registro patrimonial da Arte Kusiwa, pintura corporal e arte gráfica caraterísticos da tribo Wajãpi, que habita as regiões do Pará e Amapá. Curiosamente, a tribo, que estava ameaçada de perder seu terreno, integrante da Renca (Reserva Nacional do Cobre e Associados), foi beneficiada pela revogação do decreto que extinguiria a reserva para liberação da exploração de seus recursos naturais.

O registro da Arte Kusiwa já havia sido feito em 2002, como o primeiro bem na lista de Patrimônio Cultural do Brasil. Depois a UNESCO, órgão das Nações Unidas, deu à manifestação o título …

A DOLOROSA RESSACA DO PÓS-BREGA

Por Alexandre Figueiredo

Depois de 20 anos, quando se formou uma geração de intelectuais comprometida com a abordagem populista da bregalização cultural, a utopia por eles lançada decai, criando um clima de tristeza e de ressaca diante dos efeitos drásticos que a apologia à breguice trouxe para a realidade.

A utopia pressupunha que a defesa da bregalização cultural, inserindo seus valores e, sobretudo, seus ícones musicais, para um público considerado de melhor qualificação cultural, iria promover uma grande revolução cultural e uma ampla democratização e celebração da diversidade plena, com o diálogo entre a tradição e a vanguarda, o artístico e o comercial.

Isso tudo era promovido sob o pretexto do "combate ao preconceito", e a suposta celebração da diversidade cultural, querendo transformar meros fenômenos comerciais em supostos folclores do futuro, sob a desculpa de "fazerem parte" do cotidiano vivido pelas classes populares e "representar" seus anse…

CAIS DO VALONGO TORNA-SE PATRIMÔNIO DA HUMANIDADE, MAS EXIGE CUIDADOS

Por Alexandre Figueiredo

Localizado na Rua Camerino, na Zona Portuária do Rio de Janeiro, o Cais do Valongo, principal ponto de desembarque de escravos no Brasil, tornou-se Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO, órgão ligado às Nações Unidas.

O local foi inaugurado em 1811, num tempo em que o sistema escravagista brasileiro recebia pressões das nações estrangeiras, que aderiram à Revolução Industrial, para ser extinto. Apesar dessas pressões, as elites brasileiras insistiram em manter o sistema, alegando ser o único eficaz para seu desenvolvimento econômico.

O local teria recebido cerca de um milhão de escravos, um quarto dos escravos que chegaram ao Brasil ao longo de mais de trezentos anos. Em 1911, o Cais do Valongo foi aterrado, e só foi redescoberto depois que escavações foram feitas na área, dentro do projeto Porto Maravilha para receber turistas durante a Copa do Mundo FIFA 2014 e os jogos olímpicos Rio 2016.

No local, foram encontrados cerca de 500 mil itens que inclue…

INTELECTUAIS PRÓ-BREGA QUERIAM EVITAR REPETIR CENÁRIO DE 1965

HILÁRIA MANIFESTAÇÃO CONTRA A GUITARRA ELÉTRICA EM 1967 FORTALECIA O VERDADEIRO DEBATE DA MPB NO COMEÇO DA DITADURA MILITAR.

Por Alexandre Figueiredo

A blindagem de intelectuais pela bregalização da música brasileira tem pouco mais de 15 anos. Ela se arrefeceu tanto pelos comentários negativos que rendeu de muitas pessoas quanto da consolidação da música brega-popularesca, o comercial-popular radiofônico e televisivo, que dispensava a necessidade das pregações, pelo menos com a intensidade que tiveram antes.

Embora a intelectualidade pró-brega estivesse vinculada, de maneira tendenciosa e condicionada, pela Era PT (governos Lula e Dilma Rousseff), sua atuação remete ainda ao segundo governo de Fernando Henrique Cardoso, por volta de 2000-2001. Ela coincide com o aumento do desgaste do presidente e sociólogo em seu segundo mandato.

Em 2000, foi lançado o livro Eu Não Sou Cachorro, Não, do historiador Paulo César Araújo, como tentativa de dar um status "mais nobre" ao comercia…