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Mostrando postagens de 2026

MÚSICA BREGA-POPULARESCA E A IMITAÇÃO DO POP COMERCIAL ESTADUNIDENSE

Por Alexandre Figueiredo  A notícia, duas atrás, do falecimento do cantor e compositor Benito di Paula gerou comentários exagerados que chegavam ao nível da pieguice constrangedora, mesmo sob a aparência da objetividade jornalística. Foi tratado como se fosse um gênio visionário, um artista revolucionário cuja perda tornou-se irreparável. Ultimamente esquecido, Benito chegou a ser definido como “subestimado” pelos seus admiradores. A música de Benito di Paula pode agradar a esse público e inspirar até memórias nostálgicas pessoais, mas essas memórias residem no âmbito do sentimentalismo e não servem para um julgamento artístico sério, por mais que narrativas sejam feitas para forjar uma hipotética superioridade artística. Como todo ídolo cafona, Benito carece de profundidade artística. Na música brega, mesmo a mais antiga, que a crítica brasileira classifica como “sofisticada”, os cantores e compositores são meramente hitmakers, ou seja, fazem música comercial. O alegado “não-comer...

A ESTRANHA INTERVENÇÃO EMPRESARIAL NA CULTURA ROCK DO BRASIL

Por Alexandre Figueiredo  O fenômeno da intervenção empresarial na cultura rock brasileira é visto oficialmente como uma medida para torná-la economicamente viável e sustentável, financiando carreiras e movimentando a popularidade. A princípio, nada demais, mas a intervenção empresarial está se tornando cada vez mais explícita e bastante preocupante. Desde os anos 1990, a cultura rock foi sabotada. Rádios realmente especializadas em rock desapareceram, enquanto rádios comerciais, que na prática eram apenas rádios pop que tocavam rock mas não tinham linguagem nem perfil diferenciado, ocuparam lugar no dial. Isso fez uma diferença bastante negativa na divulgação do rock nacional e internacional no Brasil. Vertentes como o rock progressivo foram discriminadas. Outras, como o shoegaze, sofreram discriminação. O rock alternativo em geral Enquanto isso, um excedente de locutores pop, sem intimidade com o rock, ocuparam a programação diária se comportando como animadores de gincanas infan...

RENOVAÇÃO DA MPB?

JÃO E LINIKER, EM DUETO EM 2025. Por Alexandre Figueiredo  A grande mídia comemora com a atribuição de que a geração recente da música brasileira representaria uma renovação artística significativa. Nomes como Liniker, Jão, Rubel, Anavitória, Ana Frango Elétrico, Jota.Pê, Os Garotin são celebrados como se fossem a revolução genial da MPB contemporânea. A lista segue a tendência dos anos 2010, quando nomes como Criolo, Emicida, Tulipa Ruiz, Tiago Iorc, Marcelo Jeneci e outros representaram uma inclinação mais pop, com um índice de renovação artística baixo, se projetando mais pela atitude comportamental do que pela música, o que se nota nos casos dos dois primeiros, em especial o Emicida, adotado pelo chamado establishment caetânico. A crítica musical, que atualmente se deslumbra com qualquer nome novo que aparece no mainstream, marcado nos EUA por um pop coreografado e confusamente eclético, veste a camisa da dita “nova MPB”, atribuindo a elas elementos de renovação criativa que n...

A HERANÇA DO IPES-IBAD NO BRASIL DE HOJE

Por Alexandre Figueiredo  O IPES-IBAD, a dupla de institutos de fachada que se tornou um think tank crucial para o golpe civil-militar de 1964, continua vivo no seu legado atual. As gerações que descenderam dos ideólogos que se envolveram com estas instituições hoje apoiam Lula, dentro de uma linha do tempo que mostrou a complexidade das conveniências que fizeram com que aqueles que pediram a queda de Jango verem seus netos defendendo a reeleição de Lula. Para quem não sabe, os dois “institutos” se chamavam Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES, apelidado informalmente de “ipês”, fazendo trocadilho com uma famosa árvore) e Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD). O IBAD é mais antigo, surgido em 1959. O IPES surgiu dois anos depois, em 1961. Ambos haviam sido movimentos empresariais e inicialmente foram fundados de maneira independente. O IBAD foi fundado por Ivan Hasslocher, Gilbert Huber Jr. (conhecido pelo famoso catálogo telefônico Páginas Amarelas), Glycon de ...

FORRÓ TRADICIONAL PODE VIRAR PATRIMÔNIO IMATERIAL DA HUMANIDADE

Por Alexandre Figueiredo Está em processo de análise o pedido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) para que o Forró Tradicional seja reconhecido como Patrimônio Imaterial da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). O pedido, feito no final de março último, contou também com o apoio do Ministério da Cultura e do Ministério das Relações Exteriores. Considerado uma das maiores expressões da cultura popular brasileira,o Forró de Raiz, como também é conhecido, havia recebido em 2021 o reconhecimento como Patrimônio Imaterial brasileiro pelo IPHAN, ganhando registro nas Matrizes Tradicionais do Forró, um conjunto de práticas que vão além do som, das festas e da dança, envolvendo rituais, instrumentos, gastronomia e processos sociais originários do povo nordestino. A principal manifestação desse complexo de práticas culturais é a música e a dança, e os ritmos originários do forró são o baião, o xote, o xa...

A SUPREMACIA DA MÚSICA BREGA-POPULARESCA NATURALIZADA PELA POPULAÇÃO

Por Alexandre Figueiredo  Durante anos, prevaleceu a narrativa de que o comercialismo "popular demais" da música brega-popularesca era a "verdadeira cultura popular". Com muito pretensiosismo, falava-se em "popular com P maiúsculo" e, com certo exagero e um forte tom de cinismo, em "verdadeira MPB". Essa narrativa, denominada "combate ao preconceito", revelou-se depois uma grande farsa, uma conversa para boi dormir e para proletários, camponeses e desempregados adormecerem junto. Com o tempo, se viu que essa retórica "contra o preconceito" escondeu interesses políticos e comerciais bastante estratégicos. Isso não é difícil de entender. A "cultura" popularesca cresceu não porque uma multidão de pessoas humildes vindas do nada passaram a apoiar os ídolos popularescos de talento musical de mediano para baixo e nem pela inocente difusão de rádios, TVs e revistas solidários ao povo pobre. Um processo nada popular fez com ...

O LOBBY EM TORNO DA MÚSICA BREGA-POPULARESCA E SEUS EFEITOS

Por Alexandre Figueiredo  A música brasileira passa por um período de deterioração de tal forma que o comercialismo dos ídolos popularescos se tornou hegemônico e dominante. Cada vez mais o ídolo musical dos tais “sucessos do povão” comprova não ser o coitadinho das narrativas “contra o preconceito”, supostamente “em busca de um lugar ao Sol Tão Bonito da Música Popular Brasileira”, mas o dono de um esquema de negócios milionários que movimenta o entretenimento no Brasil. O ídolo brega-popularesco, seja que tendência for, seja o cantor cafona das antigas, seja o funqueiro que se acha “libertário”, o breganejo “verde-amarelo” que quer “moralizar o país” ou o piseiro e o arrocheiro “animando a festa”. A música brega-popularesca cresceu tanto que hoje sufoca a renovação da MPB. Perdemos um Lô Borges para achar que a renovação está num nome como João Gomes? Há um forte lobby em jogo. Tendências popularescas regionais estabelecem as relações de poder de tal forma que um nome da MPB ou d...

ENSAIOS PATRIMONIAIS, 20 ANOS

Por Alexandre Figueiredo  Hoje nossa página, Ensaios Patrimoniais, completa 20 anos em um cenário cultural bastante complicado no Brasil, marcado por uma ordem social comprometida com a degradação da cultura popular visando interesses econômicos e políticos de controle social das massas sob a máscara do “fim do preconceito”. No âmbito do patrimônio histórico, temos o problema de uma parcela burocrática dos servidores públicos, que tratam o tema patrimônio sem a consciência pública natural, sem o “amor à causa”, este substituído por uma fria, embora correta, subordinação à lei.  Isso é uma subordinação que não impede que interesses escusos permitissem desfigurar uma área histórica como o entorno do Farol da Barra, em Salvador, Bahia, para a construção de um prédio para atender aos interesses de um político do MDB, Geddel Vieira Lima. A necessidade de proteção do patrimônio histórico também esbarrou no descaso, na falta de investimentos para manutenção e segurança, o que fez com...

O VIRALATISMO ENRUSTIDO DA MÚSICA BREGA-POPULARESCA

O "FUNK" É PRODUTO DE UM SISTEMA DE VALORES DESENVOLVIDO PELA FARIA LIMA DESDE O PERÍODO DA DITADURA MILITAR. Por Alexandre Figueiredo  Uma atitude que chama muito a atenção é o comportamento de empresários e produtores de entretenimento no Brasil que, quando assimilam todos os aspectos de um fenômeno pop em moda nos EUA e conseguem imitar com perfeição, posam de “inventores” e tentam fazer a opinião pública crer que “descobriram algo genial”. Grupos como Sublimes - clone do EnVogue cujo nome faz trocadilho com Supremes - , Maurício Manieri, promovido como um "genérico" brasileiro de Rick Astley, e Rouge, genérico das Spice Girls, são sintomáticos. Sempre que surge um grupo imitando o pop estrangeiro, a propaganda tenta vender como algo “inovador”, o que soa bastante equivocado e oportunista. O atraso cultural brasileiro permite situações inusitadas como a “redescoberta”, em 2004, do “Verão do Amor” da música eletrônica feita por DJs. Enquanto o Brasil presenciava a...

O ENTRETENIMENTO POPULARESCO COMO UM GRANDE NEGÓCIO

Por Alexandre Figueiredo  Você lê as notas a respeito de um ídolo popularesco do passado. Tipo Odair José e Gretchen. A narrativa do crítico musical de plantão descreve mil maravilhas, fazendo crer que nomes assim, tais como outros como Luiz Ayrão, Wando e Benito di Paula, seriam “artistas de vanguarda”. Você, lendo tudo isso, vai dormir tranquilo por achar que se trata de uma “ruptura do preconceito”, de um “reconhecimento do verdadeiro (sic) valor artístico” dado a nomes de fácil sucesso comercial. Feliz da vida, você e seus amigos acabam acreditando que o jabaculê de ontem será o folclore de amanhã. Mas essa narrativa, travestida de um discurso de “objetividade” - à maneira dos artigos dos antigos “institutos” IPES-IBAD em relação às “mazelas” do governo João Goulart em 1964 - , que se estende tanto para tentar relançar um ídolo duvidoso como Michael Sullivan quanto para gourmetizar um hype como João Gomes, é fruto de uma logística de negócios que nada tem a ver com valores cult...