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ABBEY ROAD SE TORNA PATRIMÔNIO CULTURAL NA INGLATERRA



Por Alexandre Figueiredo

Os estúdios de Abbey Road, localizados na rua do mesmo nome em Londres, foram considerados pelo governo britânico patrimônio histórico, na última semana. O prédio recebeu a classificação de "edifício tombado de nível 2", considerada a segunda categoria mais importante dos patrimônios culturais da Grã-Bretanha.

A notícia aliviou os fãs de música do mundo inteiro, pois o histórico estúdio, fundado em 1931 pela multinacional Electric and Musical Industries (EMI), estava ameaçado de ser vendido para pagar dívidas financeiras da gravadora, que, como as demais multinacionais, sofre séria crise financeira. A EMI tem filiais em vários países do mundo, inclusive no Brasil, onde a companhia foi durante anos conhecida pela marca Odeon.

O Abbey Road Studios teve origem num antigo edifício que a EMI comprou em 1929. Até mesmo vários discos da EMI brasileira, nos anos 90, tiveram remasterização digital feita nos estúdios britânicos, entre eles vários discos de Milton Nascimento gravados pela EMI do Brasil.


DETALHE DA CAPA DO ÁLBUM 'ABBEY ROAD', LANÇADO PELOS BEATLES EM 1969.

Os planos de vender o prédio da Abbey Road Studios inquietaram o músico Paul McCartney, ex-baixista dos Beatles, um dos inúmeros artistas que gravaram no estúdio, ao longo das décadas. Os Beatles gravaram quase toda sua biografia no Abbey Road, sobretudo o histórico álbum 'Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band', de 1967, cujas sessões aconteceram na mesma época do primeiro álbum do Pink Floyd (então sob a liderança do guitarrista Syd Barrett), 'The Piper At The Gates of Dawn'. Segundo a ministra da Cultura da Inglaterra, Margaret Hodge, foram produzidas no Abbey Road as melhores músicas do mundo.

Os próprios Beatles imortalizaram o edifício e a rua onde ele se situa, através do nome do álbum de 1969, 'Abbey Road', o último gravado pela banda de Liverpool (o posterior, 'Let It Be', de 1970, foi todavia gravado antes de 'Abbey Road'), com os quatro integrantes na foto da capa atravessando a rua.

A ameaça da venda fez McCartney recorrer ao apoio do radialista Chris Evans, da BBC, para iniciar uma campanha pela salvação do prédio. Quando lançaram a campanha, no programa de Evans, McCartney sugeriu para que o National Truste, espécie de IPHAN britânico, comprasse o edifício. A campanha tornou-se imediatamente popular, e tão logo multiplicou-se o apoio ao apelo de McCartney e Evans, com reflexos no Facebook e no Twitter.

Um porta-voz do National Truste, através de um comunicado, afirmou que "não é habitual que o público sugira de maneira espontânea que deveríamos comprar um edifício famoso", reconhecendo que os estúdios Abbey Road parecem ser muito queridos pelo povo britânico. O preço da venda chegou a ser estimado entre 10 milhões e 30 milhões de libras, algo em torno de US$ 15,6 milhões a US$ 47 milhões.

A EMI chegou a desmentir que fazia planos para a venda do edifício. No entanto, a campanha deu resultado, fazendo o governo britânico declarar o imóvel patrimônio histórico do país. Através de comunicado, Margaret Hodge afirmou que a classificação do prédio foi feita considerando o mérito histórico e sua enorme importância cultural, e não pela importância arquitetônica da construção.

Margaret acrescentou que a condição de patrimônio histórico do Abbey Road significa que, embora sejam permitidas reformas no interior do edifício, qualquer obra nesse sentido deve respeitar sua preservação. Com a decisão, a EMI está impedida de vender os estúdios Abbey Road.

FONTES: Rolling Stone, Agência EFE, BBC Brasil, Wikipedia.

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