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IGREJA BAIANA É TOMBADA E IGREJA CARIOCA TEM PEÇAS DESCOBERTAS



Por Alexandre Figueiredo

Dois fatores envolvendo igrejas marcaram a primeira metade de outubro de 2007. Em Salvador, Bahia, houve o reconhecimento da Igreja da Vitória como Patrimônio Histórico pelo IPHAN, e no Rio de Janeiro a Igreja de Nossa Senhora do Carmo da antiga sé, localizada no Centro, revelou um acervo de obras do século XVI descobertas durante as obras de restauração, monitoradas pelo IPHAN.

A Igreja da Vitória, localizada no encontro do Corredor da Vitória com a Ladeira da Barra e a Rua da Graça, é transformada em patrimônio histórico no dia 09, meses depois de uma das casas do entorno, a Mansão Wildeberger, ter sido parcialmente destruída para a construção, sem a autorização do IPHAN, de um edifício residencial que foi suspensa por processo da Justiça Federal. É a terceira vez que o Conselho Consultivo do IPHAN aprecia o pedido de tombamento da Igreja, desta vez motivado por uma ação da Arquidiocese de Salvador para reformar a construção. A decisão do tombamento não se deu sem polêmica, porque a Arquidiocese e os proprietários da Mansão Wildeberger foram contra, alegando que a Igreja, tal como a área do Corredor da Vitória, está descaraterizada mediante tantas reformas e construções que fizeram desaparecer prédios e residências tradicionais.

A Igreja da Vitória é considerada a segunda igreja mais antiga do Brasil, sendo a primeira a Igreja do Outeiro da Glória, em Porto Seguro, também na Bahia. Foi construída pelos portugueses ainda no século XVI, e era localizada na área que deu origem ao núcleo inicial da cidade do Salvador, o Arraial do Pereira, correspondente às atuais áreas do Campo Grande, Corredor da Vitória e da Graça. Em 1910, a Igreja da Vitória foi reformada, adaptando seu prédio ao estilo arquitetônico neoclássico, numa época em que a arquitetura brasileira vivia a fase do ecletismo.

Sua fachada branca contém talhas, frisos, guirlandas e festões e nela encontra-se o frontão de concepção estética neoclássica, de formato triangular apoiado por colunas. As paredes são enfeitadas por pinturas mostrando as passagens da Paixão de Jesus Cristo. Quatro lápides situadas dentro da Igreja já foram inscritas pelo então SPHAN (Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) no Livro de Tombo das Artes, já em 1938.

Com o tombamento da Igreja da Vitória pelo Conselho Consultivo do IPHAN, o Instituto pretende avaliar as condições de tombamento do entorno, visando normatizar os critérios para sua intervenção, diante da destruição de parte da mansão Wildeberger.

PEÇAS DO SÉCULO XVI

Enquanto isso, no Rio de Janeiro, os arqueólogos que estão envolvidos nas obras de recuperação da Igreja de Nossa Senhora do Carmo encontraram no dia 16 uma estrutura que talvez tenha sido de uma antiga paliçada, nome dado a um tapume feito com estacas fincadas em terra. A paliçada teria sido construída antes da fundação da cidade do Rio de Janeiro, em primeiro de janeiro de 2007.

O trabalho em andamento na Igreja inclui diversas disciplinas como arqueologia, engenharia e arquitetura, além dos processos de restauração e história. No local descoberto foram localizados um machado e vestígios de uma fogueira indígena, além de um ossário e outras fases de ocupação no lugar. Segundo pesquisas relacionadas ao assunto, o lugar passou por pelo menos cinco ocupações diferentes a partir do século XVI.

No local da antiga Sé, é realizada uma visita pública onde grupos de até quarenta pessoas podem conhecer o local e ver uma exposição educativa ali montada. Nela são mostrados os detalhes do processo de restauração, como a limpeza e a higienização das obras de arte, as várias etapas fundamentais para a recuperação da talha dourada do interior da igreja, a restauração de pinturas e douramentos e outras técnicas usadas. Os estudantes de escolas públicas têm prioridade na visita ao local, inclusive participando de oficina de colagem e pintura.

A Igreja de Nossa Senhora do Carmo será o principal símbolo, no próximo ano, do bicentenário da visita da família real portuguesa ao Brasil. Foi em 1808 que a então capital do país, o Rio de Janeiro, em função da visita dos monarcas lusitanos, foi beneficiado por muitas transformações em sua vida urbana, principalmente no que se refere à educação e à arquitetura e paisagismo.

FONTES: IPHAN, FOLHA ON LINE, PORTAL I-BAHIA

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