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IPHAN LIBERA FINANCIAMENTOS PARA ILHA DA BOA VIAGEM, EM NITERÓI



Por Alexandre Figueiredo

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) confirmou o investimento de R$ 200 mil para os trabalhos de reparos emergenciais nas estruturas da Ilha da Boa Viagem, localizada no bairro do mesmo nome, em Niterói, na proximidade do Museu de Arte Contemporânea, no caminho entre Gragoatá e Ingá.

Considerada patrimônio histórico desde 1938, pelo então novato SPHAN, a Ilha da Boa Viagem, localizada junto a uma bela zona litorânea que dá na vista da cidade do Rio de Janeiro, podendo ser vistos o Pão de Açúcar e o Corcovado com seu Cristo Redentor, tem seu primeiro registro de ocupação em 1615, pelo explorador holandês Dierick Ruiters. Foi considerada, durante os séculos XVII e XVIII, como um ponto de referência e chegada segura de navegantes na Baía da Guanabara.

Em 1650, foi construída uma igreja, na parte central da ilha, a Igreja de Nossa Senhora da Boa Viagem, reconstruída após dois incêndios. Em 1663, foi construída uma fortificação para vigilância da Baía da Guanabara contra a ação de invasores. A fortificação teve que enfrentar dois confrontos bélicos, contra a frota do corsário francês René Duguay-Trouin, em 1710, e contra os rebeldes instalados na Ilha de Villegaignon, durante a Revolta da Armada, em 1893. Em ambos os episódios, a ilha niteroiense foi arrasada nos combates.

Com o tempo, a ilha transformou-se em posto de comando militar, em escola de aprendizes, em quartel e até mesmo em presídio militar. Depois do fim da Segunda Guerra Mundial, a ilha passou para o controle do almirante Benjamin Sodré, fundador de uma escola de escoteiros do mar. Com a morte do almirante, a responsabilidade foi transferida por sua filha, Maria Pérola Sodré.

O diretor do Instituto de Geociências da Universidade Federal Fluminense (UFF), André Ferrari, considera importantes as intervenções a serem planejadas pelos técnicos do IPHAN. Segundo ele, é necessário que esse projeto seja mais complexo, que considere o quadro de erosão que atinge o lugar. Nos últimos 20 anos, a erosão somada a deslizamentos sucessivos fez desaparecer um pedaço do rochedo da ilha, e as estruturas do local correm risco de ruírem, se nenhuma intervenção for feita.

Segundo Ferrari, a possível diminuição de tamnho da Ilha da Boa Viagem é resultante de uma conjugação de fatores naturais. A formação rochosa do local, as condições climáticas da Baía da Guanabara e a ação das ondas seriam os principais fatores que contribuíram com a erosão. Ferrari sugeriu a construção de contenção de encostas e recuperação da vegetação para conter os avanços da erosão. "Quando se trata desse tipo de rocha, que chamamos de modificada, as encostas tendem a sofrer erosão por deslizamentos", argumentou o especialista.

Conforme anunciado pelo superintendente da 6ª SR do IPHAN (Rio de Janeiro), Carlos Fernando Andrade, a verba liberada para a Ilha da Boa Viagem será destinada à realização de reparos emergenciais nas edificações existentes no local, como a própria igreja e os acessos ao local. Na semana passada, técnicos do IPHAN visitaram o lugar duas vezes, para verificar o nível de urgência nos trabalhos de reparo.

O IPHAN afirmou a intenção de estudar as maneiras de conter o processo de redução da área da Ilha da Boa Viagem. O instituto pretende enviar uma petição à União para solicitar recursos financeiros para as obras futuras, fora a verba já liberada, porque os trabalhos são de alto custo de execução. Os trabalhos, segundo Carlos Fernando Andrade, serão elaborados com cautela, para evitar riscos de caraterização paisagística da área.

A Ilha da Boa Viagem também sofre um impasse entre a Prefeitura de Niterói e a União dos Escoteiros do Brasil (UEB). Em 1945, quando a Marinha do Brasil delegou a responsabilidade administrativa da ilha à UEB, e hoje a entidade não tem recursos para investir em todas as obras necessárias, incluindo a recuperação dos edifícios históricos. A UEB chegou a firmar convênio com uma empresa que captaria verbas e executaria os trabalhos, mas hoje tenta anular esse convênio.

A Prefeitura de Niterói, no entanto, quer exercer o controle do local e aguarda sinalização do Governo Federal para retomar os estudos peliminares na ilha e buscar parcerias para investir nas obras de recuperação do lugar.

FONTES: Portal Conhecendo Niterói, O Fluminense.

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