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FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS VAI AJUDAR A BIBLIOTECA NACIONAL A SAIR DE SUA CRISE


Por Alexandre Figueiredo

Um dos prédios históricos mais importantes do Rio de Janeiro e que reúne um precioso acervo de documentos de imensurável valor cultural passa por momentos muito delicados nos últimos anos, num quadro que envolve desde divergências na sua cúpula até mesmo a ameaça de que um incêndio pudesse por fim a todo o seu acervo.

A Biblioteca Nacional, há muito, sofre essa crise, de graves proporções. Seu acervo inclui nove milhões de itens, e para salvar esse acervo, além de manter seu quadro de funcionários e seus órgãos e veículos - a BN publica também uma revista de história, a Revista de História da Biblioteca Nacional, vendida nas bancas - , firmou um contrato com a Fundação Getúlio Vargas na ordem de R$ 6,87 milhões.

A mesma fundação já realizou provas de concurso público para a renovação de seu quadro de servidores. Eu mesmo participei da prova, no último dia 03, para Assistente Administrativo. A Fundação está avaliando, no momento, os recursos enviados para o gabarito das provas.

O acervo inclui livros, gravuras, jornais, cartazes, manuscritos, moedas, revistas e mapas, incluindo também material em microfilme e outros documentos. Há documentos preciosos relacionados ao Império, como as inúmeras brochuras pertencentes à imperatriz Thereza Christina Maria, que foram doadas pelo ex-imperador D. Pedro II

Há também a chamada Bíblia de Mogúncia (ou Bíblia Latina), um dos documentos mais antigos do acervo da Biblioteca, datado do ano de 1462, e que havia sido um dos primeiros documentos impressos em que aparecem créditos de data, local e nomes dos impressores, no caso os dois sócios do inventor da máquina de impressão, Johannes Gutenberg, Johannem Fust e Petrum Schoeffer.

A crise da Biblioteca Nacional se dá sobretudo pelos problemas nas instalações, como o vazamento de água que causou problemas no funcionamento do ar condicionado e chegou a causar um princípio de incêndio no depósito da Biblioteca, em outra rua, a Avenida Rodrigues Alves, em setembro passado. 

Há vários meses as salas de leitura da Biblioteca Nacional funcionam sem ar condicionado, e em dezembro passado a temperatura no Rio de Janeiro chegou a ser de 44º C, causando desconforto em quem estivesse no lugar e ameaçando o acervo consultado, de acordo com informações dadas pela Associação dos Servidores da Biblioteca Nacional (ASBN).

No ano passado, houve divergências de ordem político-ideológica no conselho editorial da Revista de História, por conta da resenha do livro A Privataria Tucana, de Amaury Ribeiro Jr., que investiga irregularidades cometidas por políticos do PSDB durante os dois governos do presidente Fernando Henrique Cardoso.

As divergências giraram em torno da Sociedade Amigos da Biblioteca Nacional (SABIN) e o conselho editorial da revista, então chefiado por Lucas Figueiredo, que não havia gostado das críticas feitas pelo jornalista Celso de Castro Barbosa ao PSDB e o demitiu. Apesar do incidente, que gerou ainda um protesto formal do próprio PSDB, a SABIN nega que a demissão ocorreu por motivos políticos.

O conflito, que depois de um impasse causou a demissão de Lucas Figueiredo, foi um dos grandes problemas enfrentados pelo presidente da Fundação Biblioteca Nacional, Galeno Amorim, desde que ele tomou posse, em 2011.

O prédio principal da Biblioteca Nacional fica na Av. Rio Branco, em frente à Praça Floriano, na Cinelândia, no Centro do Rio de Janeiro. Ele foi inaugurado em 1910 e é um dos símbolos da avenida surgida em 1905 por projeto proposto pelo então prefeito Pereira Passos. Mas a Fundação Biblioteca Nacional possui outros prédios sob sua administração.

Em setembro passado, a Biblioteca Nacional foi notificada pelo Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro depois que uma vistoria apontou irregularidades não somente nas instalações elétricas e no encanamento, mas também no sistema de segurança contra incêndio nos seus arredores. 

Segundo um integrante da ASBN, que não quis se identificar, "Se pega fogo na biblioteca (na sede) em dez minutos vai tudo embora. E a nossa única saída seria nos jogarmos das janelas, pois a escada de emergência fica no meio do acervo".

FONTES: Biblioteca Nacional, Folha On Line, O Globo, Brasilianas.Org, Portal Vermelho.

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