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FORRÓ TRADICIONAL PODE VIRAR PATRIMÔNIO IMATERIAL DA HUMANIDADE


Por Alexandre Figueiredo

Está em processo de análise o pedido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) para que o Forró Tradicional seja reconhecido como Patrimônio Imaterial da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). O pedido, feito no final de março último, contou também com o apoio do Ministério da Cultura e do Ministério das Relações Exteriores.

Considerado uma das maiores expressões da cultura popular brasileira,o Forró de Raiz, como também é conhecido, havia recebido em 2021 o reconhecimento como Patrimônio Imaterial brasileiro pelo IPHAN, ganhando registro nas Matrizes Tradicionais do Forró, um conjunto de práticas que vão além do som, das festas e da dança, envolvendo rituais, instrumentos, gastronomia e processos sociais originários do povo nordestino.

A principal manifestação desse complexo de práticas culturais é a música e a dança, e os ritmos originários do forró são o baião, o xote, o xaxado, o arrasta-pé, o rojão e o coco. O repentismo nordestino também costuma se integrar a essas manifestações culturais, assim como a poesia de cordel.

A ministra da Cultura Margareth Menezes fez um declaração a respeito da entrega do dossiê para a candidatura do Forró Tradicional ao título de Patrimônio Imaterial da Humanidade:

"A entrega da candidatura do Forró Tradicional à UNESCO é um gesto de reconhecimento, reparação e afirmação da cultura brasileira no cenário internacional. Estamos falando de uma expressão profundamente ligada à formação do nosso povo, à memória das migrações, à força criativa do Nordeste e à capacidade da cultura de manter vivos os vínculos entre território, identidade e pertencimento. É uma entrega emblemática deste governo, que recoloca o patrimônio cultural no centro das políticas públicas e reafirma o compromisso do Brasil com a salvaguarda, a valorização da diversidade e a projeção internacional dos nossos patrimônios vivos".

Leandro Grass reafirma a retomada das políticas culturais do Brasil, ao comentar a entrega do dossiê: "Assim como o reconhecimento internacional dos Modos de Fazer o Queijo Minas Artesanal, em 2024, e a apresentação da candidatura do Maracatu Nação, em 2025, que também pode receber o mesmo reconhecimento neste ano, trabalhamos para entregar o pedido das Matrizes Tradicionais do Forró à UNESCO".

A entrega do dossiê é o início formal do processo, conforme explica a assessora de Assuntos Internacionais do IPHAN, Juliana Izete Bezerra, acrescentando que o instituto está disponível para dar mais informações que forem necessárias:

"O dossiê contém todas as informações históricas e os elementos que demonstram por que o Forró reúne os requisitos necessários para ser declarado Patrimônio da Humanidade, com especial destaque para sua contribuição à promoção do respeito às diferenças culturais. A UNESCO inicia agora uma série de processos internos de análise da candidatura, sem um prazo determinado para apreciação. A partir desta entrega, ficamos à disposição para complementar qualquer informação que seja necessária".

A documentação enviada para a UNESCO se consolidou a partir de um trabalho integrado entre as áreas técnicas do Departamento de Patrimônio Imaterial do IPHAN, da Associação Balaio Nordeste e os coordenadores dos Fóruns de Salvaguarda do Forró de diversos Estados brasileiros, inclusive da Região Sudeste.

Lembremos que a cultura nordestina de raiz também encontra manifestações em todos os Estados sudestinos, não apenas nas áreas do Espírito Santo e Minas Gerais próximas à Região Nordeste. O Pavilhão de São Cristóvão, no bairro do mesmo nome no Rio de Janeiro, e o Centro de Tradições Nordestinas, no bairro do Limão, em São Paulo, são espaços de expressão do legado do povo nordestino.

O termo Forró surgiu de uma redução da expressão "forrobodó", variante do antigo vocábulo galego-português "forbodó" que surgiu de uma corruptela do termo francês faux-bourdon. A origem do forrobodó teria sido por inspiração de um baile de "forbodó" que ocorreu no Noroeste da Península Ibérica, nas regiões de Galiza e de Portugal. De acordo com o historiador galego Fermin Bouza-Brey, o forbodó era movido "a golpes de bumbo em pontos monorrítmicos monótonos".

O forrobodó encontra vestígios no Brasil no século 19. Chegou a ser título de uma opereta de 1912, escrita por Carlos Bettencourt e Luiz Peixoto, com música de Chiquinha Gonzaga (1847-1935), a notável pianista e compositora brasileira. Por curiosidade, houve uma outra Chiquinha Gonzaga, irmã do famoso nome do forró, Luís Gonzaga que foi cantora, sanfoneira e compositora.

Além de Luís Gonzaga, o forró de raiz foi marcado, ao longo dos tempos, por nomes como Zé Dantas, Marinês, Trio Nordestino, Alcimar Monteiro, Dominguinhos, Jackon do Pandeiro, Genival Lacerda, entre outros, alguns modernizando o ritmo para reforçar sua expressividade e sua força cultural.

No forró mais tradicional, a estrutura instrumental se baseia na sanfona, na zabumba e no triângulo, que compõem os chamados trios de forró. Nos bailes, também há a atuação de mestres rabequeiros e de bandas de pífaros. 

Os bailes de forró costumam ser espaços de divertimento de trabalhadores migrantes nordestinos e seus descendentes, e os bailes ocorrem em estabelecimentos comerciais e em festivais e efemérides, principalmente no meio do ano, como nas festas juninas. Boa parte das canções de forró remetem às experiências migratórias e à saudade da terra de origem.

FONTES: IPHAN, Veja, Dicionário Houaiss.

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