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O CULTURALISMO CONSERVADOR QUE ILUDIU AS ESQUERDAS NO BRASIL

  ENTRE OS ERROS DAS FORÇAS PROGRESSISTAS ESTAVA O DE EXALTAR A PROSTITUIÇÃO COMO UM DOS SÍMBOLOS DO FEMINISMO POPULAR. Por Alexandre Figueiredo Aparentemente, quando descreve o problema do chamado "culturalismo conservador" e o "racismo científico" - que ultrapassa os limites dos critérios meramente raciais no que se diz à discriminação dos "excluídos sociais" - , o sociólogo Jessé Souza não mencionou o entretenimento popularesco que, até o surgimento de sua série de livros a partir de A Tolice da Inteligência Brasileira , de 2015 - o mesmo ano do meu livro Música Brasileira e Cultura Popular em Crise  - , era exaltado e blindado por setores deslumbrados de nossas esquerdas. Isso se deve porque a especialidade de Jessé Souza é sociológica e, aparentemente, evitou-se qualquer conflito contra os dogmas que, dez anos antes, foi introduzido na agenda esquerdista depois que o suposto "combate ao preconceito" da bregalização cultural foi propagado pel...

A HIPOCRISIA DAS ELITES INTELECTUAIS QUANTO À CRISE CULTURAL BRASILEIRA

   Por Alexandre Figueiredo O livro que escrevi, Esses Intelectuais Pertinentes , disponível na Amazon , explica e exemplifica a campanha do suposto "combate ao preconceito" de uma elite de intelectuais tidos como "especializados" em cultura popular. A campanha durou cerca de 15 anos, pelo menos quando sua atuação foi intensa e constante, e seu desfecho influiu no golpe político de 2016. Tomando como "verdadeira cultura popular" a chamada "cultura de massa" dos fenômenos popularescos, não somente musicais - embora prioritariamente nessa condição - , o dito "combate ao preconceito", todavia, abordava formas preconceituosas de suposta expressão popular, que glamourizava a pobreza a ignorância e, entre outros aspectos, tratava os grupos identitários (como negros, índios e a comunidade LGBTQ) de forma "positiva", porém caricatural. Numa época em que 100 mil brasileiros morreram de Covid-19 e, independente da doença, tivemos óbitos...

A CONFORMAÇÃO COM A "BOLHA" DOS SEGUMENTOS CULTURAIS

Por Alexandre Figueiredo A baixa indignação em relação à crise social em que vivemos se deve à ilusão de que, em muitos segmentos culturalmente relevantes, a a ilusão de que a "bolha social" é um "universo", como se os circuitos fechados fossem garantir que a cultura de verdade estivesse em alta. Vemos, por exemplo, em festas de aniversário da classe média, aquela advogada que, num karaokê, mostra dotes de cantora. Ela tem boa voz e interpreta com sua dramaticidade peculiar canções conhecidas da MPB. Ela é aplaudida pelos presentes, num grupo de cerca de trinta pessoas em um salão de um condomínio, e tem-se a impressão de que a MPB está em alta. Temos, no segmento rock, eventos de rock alternativo, emissoras digitais como Cult FM (que, apesar das letras "FM", só é transmitida na Internet e só é sintonizável por celulares que, irradiando webradios , "comem" bateria e são difíceis de manterem a sintonia por mais de uma hora) e festivais de...

O SUPOSTO "COMBATE AO PRECONCEITO" E SUA NARRATIVA DOMINANTE

O "FUNK OSTENTAÇÃO" CONTRADIZ A IMAGEM VITIMIZADA DOS FUNQUEIROS AO EXALTAR O CONSUMISMO CAPITALISTA. Por Alexandre Figueiredo Um projeto da Universidade Anhembi-Morumbi de São Paulo, organizado pelo professor Wilson Roberto Vieira Ferreira, o mesmo que produz o blogue Cinegnose , chamado " Vídeos da Quarentena ", produzidos por alunos da disciplina ensinada pelo referido semiólogo, Teorias da Comunicação em Publicidade e Jornalismo, tem como um dos temas propostos pelos alunos um referente às relações de contraste entre Teoria Hipodérmica e Teoria da Persuasão. Sabemos que a Teoria Hipodérmica foi uma das primeiras correntes da moderna Teoria da Comunicação, surgida após os adventos do cinema, do rádio e os primeiros experimentos da televisão, então ainda em processo de implantação. Vigente entre o fim dos anos 1910 e o decorrer da década de 1940, essa teoria se baseava na tese da manipulação midiática sobre o público (a "sociedade de massa"), que...

DISCURSO DA BREGALIZAÇÃO EMPURROU AS PERIFERIAS PARA A DIREITA

O ALCOOLISMO ERA TRATADO PELO DISCURSO  "SEM PRECONCEITOS"  DA BREGALIZAÇÃO COMO UMA CONSOLAÇÃO PARA OS DRAMAS DOS HOMENS POBRES, SOBRETUDO IDOSOS. Por Alexandre Figueiredo Seis anos depois da campanha do "combate ao preconceito", que forçava a aceitação da bregalização como suposta expressão "natural" das classes populares, seu grande equívoco veio à tona. A campanha que parecia receber unanimidade na centro-direita e, por proselitismo, em vários setores das esquerdas, abriu caminho para o golpe político de 2016. A bregalização envolve paradigmas que se encaixam perfeitamente no conceito de culturalismo conservador e no "racismo culturalista" estudados pelo sociólogo Jessé Souza. A ideia de que o povo pobre de países emergentes no Brasil deveria legitimar sua própria inferioridade social a partir do mito do "país cordial" de Sérgio Buarque de Hollanda, trazia paradigmas negativos associados às limitações sociais, culturais e ec...

AS ESQUERDAS E SEU PRECONCEITO "SEM PRECONCEITOS"

Por Alexandre Figueiredo Diz o ditado popular que "só se dá valor a alguma coisa quando a perde". De um processo longo, embora cronologicamente curto, mas dinâmico em fatos, iniciado por volta de 2013, com crises sociais, econômicas, culturais e políticas que balançaram o Brasil e continuam balançando até hoje, não o balanço das danças, porém o balanço comparável aos terremotos, muita coisa se perdeu. Da perda do protagonismo político das esquerdas até o falecimento de figuras diversas, como Paulo Henrique Amorim, Moraes Moreira, Sérgio Sant'Anna, Aldir Blanc, Walter Franco, Beth Carvalho, entre tantos e tantos outros, revela um Brasil não só politicamente caótico, mas culturalmente debilitado. E essa debilidade, por incrível que pareça, tem como um dos fatores a campanha do "combate ao preconceito", uma "pegadinha" na qual intelectuais patrocinados ou integrados à mídia corporativa invadiram a mídia de esquerda para fazer o seu prosel...

JAIR BOLSONARO INTERFERIU NO IPHAN PARA ATENDER INTERESSES DE EMPRESÁRIO LUCIANO HANG

Por Alexandre Figueiredo O risco das atividades do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) perder a relevância técnica, que era mantida até mesmo durante o governo conservador de Michel Temer, está se tornando mais evidente durante o governo Jair Bolsonaro. Segundo divulgado na reunião ministerial de 22 de abril de 2020, divulgada um mês depois por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Celso de Mello, o presidente Jair Bolsonaro queria exercer controle no IPHAN, interesse que, depois, descobriu-se ter sido influenciado pelas pressões do filho e senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) e pelo empresário catarinense Luciano Hang. Flávio Bolsonaro, quando esteve em Salvador, ouviu empresários da construção civil locais reclamando das restrições dadas pela 7ª Superintendência Regional do IPHAN (que envolve Bahia e Sergipe) para as obras e construções no entorno da Barra, bairro nobre da capital baiana, mas dotada também de prédios históricos. N...