JÃO E LINIKER, EM DUETO EM 2025.
Por Alexandre Figueiredo
A grande mídia comemora com a atribuição de que a geração recente da música brasileira representaria uma renovação artística significativa. Nomes como Liniker, Jão, Rubel, Anavitória, Ana Frango Elétrico, Jota.Pê, Os Garotin são celebrados como se fossem a revolução genial da MPB contemporânea.
A lista segue a tendência dos anos 2010, quando nomes como Criolo, Emicida, Tulipa Ruiz, Tiago Iorc, Marcelo Jeneci e outros representaram uma inclinação mais pop, com um índice de renovação artística baixo, se projetando mais pela atitude comportamental do que pela música, o que se nota nos casos dos dois primeiros, em especial o Emicida, adotado pelo chamado establishment caetânico.
A crítica musical, que atualmente se deslumbra com qualquer nome novo que aparece no mainstream, marcado nos EUA por um pop coreografado e confusamente eclético, veste a camisa da dita “nova MPB”, atribuindo a elas elementos de renovação criativa que na prática inexistem.
O que se nota é uma aproximação cada vez mais evidente desse cenário brasileiro com o pop contemporâneo estadunidense, seja se inspirando, aparentemente ,no rock alternativo mais acessível, seja nos elementos do hip hop e da soul music.
A “nova MPB” segue uma orientação temática woke, com letras de amor pueril e letras de auto afirmação identitária. Quando muito, há o vínculo de herança do Tropicalismo, no que se diz à apreciação do pop mainstream. Mas a tão prometida renovação da MPB não passa de uma conversa para boi dormir.
Devemos lembrar que, para o “sistema cultural” dominante no Brasil, existe a narrativa de que, quando o mercado musical brasileiro consegue reproduzir, como uma cópia perfeita, o pop dos EUA feito há poucos anos, isso é visto como se fosse uma “originalidade”. Produtores e empresários de grupos pop brasileiros posam de “inventores da roda” e as cópias perfeitas do pop gringo são tratadas como algo “revolucionário”.
Neste sentido, a “renovação” da MPB não é mais do que a efetivação de um pop arrojado de inspiração estadunidense que só é rotulado de MPB por dois critérios bastante superficiais: é feito no Brasil e cantado em português.
Quanto à brasilidade, apenas nomes como Os Garotin e Ana Frango Elétrico tornam explícita a herança pós-tropicalista de uma “MPB mainstream” dos anos 1980, 1990 e 2000. Mesmo assim, o teor emepebista se torna mais raso do que quando a MPB era obrigada a gravar, nos anos 1980, canções românticas para emplacar nas rádios.
LOBBY EMPRESARIAL E MIDIÁTICO
O que faz a crítica musical passar pano na mediocridade musical e glorificar cenários medianos, como se fossem algo revolucionário ou transgressor, é um lobby envolvendo empresários do entretenimento e executivos da mídia, que determinam os parâmetros de comercialismo musical que orientam o que deve ser a música brasileira no futuro.
Há, nessa “nova MPB”, a continuidade de uma postura que vem desde o pós-Tropicalismo dos anos 1970, que é a complacência com a bregalização musical, que se manifestou nos cenários emepebistas das décadas de 1990 e 2000. No entanto, falta a visceralidade do cenário de 1960-1970 da MPB do passado, pois a “atual MPB” que se projeta na mídia tem mais a ver com um pop convencional com equivocada pretensão artística.
Através dessa postura em prol da dita “nova MPB”, algumas correntes da crítica musical que mencionam esse “novo” cenário da música brasileira tentam aumentar o leque e colocar no balaio nomes popularescos como Pabblo Vittar, João Gomes, Anitta, Ana Castela e Baiana System, este um grupo de axé-music que tenta ter a reputação comparável à Nação Zumbi, sem ter o talento desta banda pernambucana de mangue beat. Jão e Liniker já fizeram dueto fazendo homenagens até à falecida breganeja Marília Mendonça.
Se a chamada “nova geração da MPB” ainda traz dúvidas sobre sua reputação de MPB e sobre sua suposta revolução artística - em que pese a entusiasmada recepção por um público jovem bastante numeroso - , incluir nomes popularescos só contribui para agravar e complicar a mediocridade em que se encontra a cultura musical brasileira.
Fontes: Carta Capital, Terra Diversão, Portal G1, Blogue Linhaça Atômica.

Comentários