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O LOBBY EM TORNO DA MÚSICA BREGA-POPULARESCA E SEUS EFEITOS


Por Alexandre Figueiredo 

A música brasileira passa por um período de deterioração de tal forma que o comercialismo dos ídolos popularescos se tornou hegemônico e dominante. Cada vez mais o ídolo musical dos tais “sucessos do povão” comprova não ser o coitadinho das narrativas “contra o preconceito”, supostamente “em busca de um lugar ao Sol Tão Bonito da Música Popular Brasileira”, mas o dono de um esquema de negócios milionários que movimenta o entretenimento no Brasil.

O ídolo brega-popularesco, seja que tendência for, seja o cantor cafona das antigas, seja o funqueiro que se acha “libertário”, o breganejo “verde-amarelo” que quer “moralizar o país” ou o piseiro e o arrocheiro “animando a festa”. A música brega-popularesca cresceu tanto que hoje sufoca a renovação da MPB. Perdemos um Lô Borges para achar que a renovação está num nome como João Gomes?

Há um forte lobby em jogo. Tendências popularescas regionais estabelecem as relações de poder de tal forma que um nome da MPB ou do Rock Brasil precisa fazer um dueto com o ídolo popularesco de plantão para tocar em certas regiões. Esse dueto cria a falsa narrativa de que o ídolo popularesco é um coitado em busca de reconhecimento e tudo parece à primeira vista um processo de “inclusão social” na MPB. Grande mentira.

Quem está “buscando espaço” é o emepebista, o roqueiro brasileiro, que chega a contaminar seus discos e apresentações com estes duetos que depois se apagam com o tempo. Hoje, no entanto, são os ídolos popularescos que estão no poder, com suas poses de “pobrezinhos” que disfarça uma grande estrutura empresarial que causaria inveja nos grandes empresários em Wall Street, o reduto financeiro de Noa York.

No interior, poderosas oligarquias locais, com braços políticos bem estruturados e com representantes até em Brasília, no Congresso Nacional, financiam e patrocinam os ritmos popularescos locais. Donos de poderosos meios de comunicação investem em rádios popularescas e em plataformas digitais que investem nesses “artistas”. As rádios podem ser “populares demais” mas seus donos são magnatas poderosos e dominadores.

Nas grandes capitais, o lobby envolve também rádios “populares” controladas por ricos grupos empresariais, blindadas pela mídia hegemônica e, mais do que isso, um esquema que alcança até professores universitários, principalmente de Comunicação, História e Antropologia. Daí a campanha do “combate ao preconceito”, um think tank informal que degradou a cultura popular no Brasil.

Temos a produção de documentários sobre fenômenos popularescos que servem para dar um verniz "científico" e "etnográfico" para movimentos musicais meramente comerciais. Assim como as reportagens e as monografias universitárias, esse aparato de "objetividade" tenta criar uma reputação "nobre" que possa fazer com que estes fenômenos durassem mais do que o sucesso radiofônico momentâneo.

Temos também um esquema de gourmetização da música brega-popularesca, geralmente dedicada a nomes veteranos, com a tentativa de retomar seus sucessos sob uma embalagem pretensamente sofisticada. A onda do “brega vintage” que relançou Michael Sullivan, Chitãozinho & Xororó, É O Tchan, Bell Marques e Gretchen foi um exemplo.

Nesse tipo de esquema, produtores e executivos de rádio e TV tentam convencer a crítica a exaltar esses nomes. É como um jabaculê bem mais requintado, que revê a bregalização musical dos anos 1970, 1980 e, em parte, 1990, como algo acima do que havia sido, explorando a memória afetova do público.

A ideia é estimular um saudosismo fabricado, reduzido a meras impressões pessoais. A ideia de exibir velhos programas de TV usando o bordão “me respeita que sou dessa época”, é ilustrativo para usar emoções banais da subjetividade do público para forjar um “valor sublime” a meros fazedores de sucessos comerciais.

Michael Sullivan, que foi um símbolo do comercialismo voraz na música dos anos 1980, chegou a fazer apelação, querendo se lançar na carreira usando a mesma MPB que quis sabotar e destruir. Com certo exagero, o antigo parceiro de Paulo Massadas chegou a se vender como “artista indie” e até a lançar um “movimento” musical, chamado “Pernamblack”, que fracassou. Foi incoerência um produtor comercial de uma grande gravadora se relançar como um pretenso independente.

Críticos musicais costimam elogiar esses nomes, sob o pretexto e o aparato da cobertura imparcial, mas o que se nota nos bastidores é a influência de empresários do entretenimento, produtores e executivos de rádio e TV e um mercado poderoso de shows e eventos. O jornalismo musical acaba se tornando uma assessoria não assumida da bregalização. Tudo para movimentar a música como negócio, mas sem contribuição real para o progresso cultural do povo brasileiro.

FONTES: Blogue Linhaça Atômica, Portal G1, Carta Capital, Revista Fórum, Folha de São Paulo.

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