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Mostrando postagens de 2026

ENSAIOS PATRIMONIAIS, 20 ANOS

Por Alexandre Figueiredo  Hoje nossa página, Ensaios Patrimoniais, completa 20 anos em um cenário cultural bastante complicado no Brasil, marcado por uma ordem social comprometida com a degradação da cultura popular visando interesses econômicos e políticos de controle social das massas sob a máscara do “fim do preconceito”. No âmbito do patrimônio histórico, temos o problema de uma parcela burocrática dos servidores públicos, que tratam o tema patrimônio sem a consciência pública natural, sem o “amor à causa”, este substituído por uma fria, embora correta, subordinação à lei.  Isso é uma subordinação que não impede que interesses escusos permitissem desfigurar uma área histórica como o entorno do Farol da Barra, em Salvador, Bahia, para a construção de um prédio para atender aos interesses de um político do MDB, Geddel Vieira Lima. A necessidade de proteção do patrimônio histórico também esbarrou no descaso, na falta de investimentos para manutenção e segurança, o que fez com...

O VIRALATISMO ENRUSTIDO DA MÚSICA BREGA-POPULARESCA

O "FUNK" É PRODUTO DE UM SISTEMA DE VALORES DESENVOLVIDO PELA FARIA LIMA DESDE O PERÍODO DA DITADURA MILITAR. Por Alexandre Figueiredo  Uma atitude que chama muito a atenção é o comportamento de empresários e produtores de entretenimento no Brasil que, quando assimilam todos os aspectos de um fenômeno pop em moda nos EUA e conseguem imitar com perfeição, posam de “inventores” e tentam fazer a opinião pública crer que “descobriram algo genial”. Grupos como Sublimes - clone do EnVogue cujo nome faz trocadilho com Supremes - , Maurício Manieri, promovido como um "genérico" brasileiro de Rick Astley, e Rouge, genérico das Spice Girls, são sintomáticos. Sempre que surge um grupo imitando o pop estrangeiro, a propaganda tenta vender como algo “inovador”, o que soa bastante equivocado e oportunista. O atraso cultural brasileiro permite situações inusitadas como a “redescoberta”, em 2004, do “Verão do Amor” da música eletrônica feita por DJs. Enquanto o Brasil presenciava a...

O ENTRETENIMENTO POPULARESCO COMO UM GRANDE NEGÓCIO

Por Alexandre Figueiredo  Você lê as notas a respeito de um ídolo popularesco do passado. Tipo Odair José e Gretchen. A narrativa do crítico musical de plantão descreve mil maravilhas, fazendo crer que nomes assim, tais como outros como Luiz Ayrão, Wando e Benito di Paula, seriam “artistas de vanguarda”. Você, lendo tudo isso, vai dormir tranquilo por achar que se trata de uma “ruptura do preconceito”, de um “reconhecimento do verdadeiro (sic) valor artístico” dado a nomes de fácil sucesso comercial. Feliz da vida, você e seus amigos acabam acreditando que o jabaculê de ontem será o folclore de amanhã. Mas essa narrativa, travestida de um discurso de “objetividade” - à maneira dos artigos dos antigos “institutos” IPES-IBAD em relação às “mazelas” do governo João Goulart em 1964 - , que se estende tanto para tentar relançar um ídolo duvidoso como Michael Sullivan quanto para gourmetizar um hype como João Gomes, é fruto de uma logística de negócios que nada tem a ver com valores cult...